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terça-feira, 5 de agosto de 2008

Jovem tratado como "gente grande"

04/08/2008 - Estagiário hoje é cobrado como se fosse profissional, porque empresas já o vêem como futuro executivo
Rafael Sigollo


Fundamental para qualquer estudante universitário que pretenda seguir carreira em sua área, o estágio tem se tornado um programa cada vez mais disputado e complexo, assim como o próprio mercado de trabalho.

Antigamente, para preencher uma vaga de estágio bastava que o aluno estivesse matriculado no curso desejado pela empresa. “Hoje a seleção é bastante rigorosa, em diversas etapas e é preciso que ele se encaixe no perfil e agregue valor à organização”, afirma a gerente técnica de estágio do Centro de Integração Empresa-Escola (Ciee), Sylvana Santos Rocha.

O conhecimento técnico e acadêmico também não são mais suficientes. “O perfil do novo estagiário inclui competências principalmente comportamentais e são elas que fazem a diferença na hora da seleção e desempate entre candidatos”, explica a coordenadora da Empresa Júnior da Universidade Cruzeiro do Sul (Unicsul), Fátima Carvalho

Boa comunicação, dinamismo, bom relacionamento interpessoal, facilidade de aprendizagem e de adaptação são algumas das habilidades mais cobradas atualmente dos futuros profissionais (confira quadro na página).

Tantas exigências acontecem porque, assim como nos programas de trainee, as empresas estão cada vez mais enxergando nos estagiários futuros diretores, gerentes e líderes.

“A competitividade e falta de mão-de-obra qualificada faz com que os estudantes acabem tendo mais responsabilidades. Geralmente as empresas têm planos a médio e longo prazo para eles e calculamos que 64% são efetivados”, afirma Sylvana.

APRENDIZADO

Na busca de futuros profissionais altamente qualificados, entretanto, diz Fátima, algumas empresas acabam “exagerando na dose”, desperdiçando talentos e distorcendo os objetivos reais de um estágio.

Na opinião da coordenadora, elas querem contratar iniciantes com perfil de funcionários experientes. Acabam assim frustrando os jovens e, conseqüentemente, criando problemas internos para os gestores, que vão exigir dos estagiários muito mais do que eles poderão oferecer.

“É preciso lembrar que a essência de um programa desse tipo é o aprendizado e o desenvolvimento do estudante. Ele precisa ser avaliado e orientado pelos seus gestores periodicamente”, ressalta.

O ideal, segundo ela, é que os contratantes tenham um departamento de gestão de pessoas organizado, com planejamento estratégico alinhado aos objetivos da companhia. “É preciso dar ao estagiário atividades que o permitam colocar em prática e desenvolver as competências exigidas, já pensando em prepará-lo para novas funções.”

Para Sylvana, do Ciee, oferecer um programa adequado e investir no jovem talento é tão importante
que o centro criou um curso rápido para os gestores desses estudantes, no qual são passados os valores e a importância do estágio.

“Além disso, premiamos também as melhores empresas para estagiar, em uma pesquisa que incentiva o aperfeiçoamento dos programas.”

RESPONSABILIDADES

Cursando o último ano em Marketing, a estudante Michele Okuhara é estagiária da Unilever e, embora reconheça que o processo seletivo tenha sido bastante rigoroso, sente que tem espaço para crescer na empresa.

“Tenho uma rotina puxada. Acompanho dados, faço análise de mercado e plano de comunicação, falo com agências e até coordeno lançamento de produtos. É um trabalho bastante dinâmico.”

Michele revela que ao assumir responsabilidades e ter de tomar decisões - ainda que sob supervisão - deu a ela uma postura mais profissional em pouco tempo. “Você está naquela fase mais descontraída de faculdade e, de repente, é preciso se portar como um futuro empresário. É um grande desafio”, diz.

Outra habilidade que foi cobrada de Michele no processo seletivo e que ela tem a oportunidade de pôr em pratica com freqüência é o uso de outros idiomas. “Por se tratar de uma multinacional, recebemos diversos documentos em inglês e também temos contato com as equipes de marketing de países latino-americanos.”

HABILIDADES

Iniciativa: Capacidade para colocar em prática uma idéia/sugestão; agir prontamente frente a uma necessidade;

Criatividade/inovação: Apresentar soluções novas às situações conhecidas, explorar novas maneiras de alcançar resultados;

Trabalhar em equipe: Disposição para atividades em grupo, mantendo clima de interdependência e confiança mútua. Implica a facilidade para atuar com membros de outras áreas;

Dinamismo: Disposição para realizar atividades; capacidade de executar tarefas simultâneas;

Facilidade de comunicação: Habilidade para transmitir informações, expressar idéias e opiniões, tornando possível a interação social no ambiente de estágio;

Postura profissional: Boa apresentação pessoal, cuidados com a aparência, respeitar as normas e procedimentos da empresa, identificar seu potencial e desenvolvê-lo, ser organizado, aproveitar as oportunidades para aprender e ser ético.

Fonte: O Estado de São Paulo